Selic a 4,25% ao ano: como investir com os juros no menor patamar da história

03/02/2020

A primeira reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, em 2020 confirmou as apostas do mercado com a redução da taxa Selic pela quinta vez consecutiva. Desta vez, o corte dos juros básicos foi de 0,25 ponto percentual, para 4,25% ao ano – o menor patamar da história.

A sinalização é de que o ciclo de quedas chegou ao fim, mas como o investidor deve se posicionar nesse ambiente, já que os produtos com retornos pós-fixados, indexados ao CDI, estão rendendo cada vez menos?

Além de os juros baixos dificultarem a escolha por investimentos mais conservadores, a perspectiva de que eles voltem a subir colocam um novo desafio para o investidor brasileiro.

Neste cenário, o recomendável é evitar os títulos indexados à inflação de curto prazo e papéis prefixados de qualquer vencimento, justamente por conta da possibilidade de alta da Selic, que pode levar à desvalorização dos papéis. Quando as taxas aumentam, os preços dos papéis caem. Neste sentido, o mais interessante agora são os títulos indexados ao IPCA com vencimentos a partir de 2028, que paguem a inflação acrescida de uma taxa em torno de 3% ao ano. Entre os papéis disponíveis para compra no Tesouro Direto, o Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035, 2045 e 2050 pagam hoje taxas reais de juros entre 3,16% e 3,46% ao ano.

Em crédito privado, os papéis do tipo high yield, que embutem maior risco de crédito, também são interessantes, principalmente em um cenário de novas emissões.

Ainda sobre a possibilidade de aumento da taxa básica de juros, alguns analistas sugerem neutralidade nos títulos públicos, destinando apenas a fatia necessária para liquidez para o Tesouro Selic. Para a parcela de renda fixa do portfólio, o recomendado agora são os ativos isentos de Imposto de Renda, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs).

Em busca de retorno
Independentemente do perfil de risco do investidor, o consenso dos especialistas é que as aplicações deverão buscar horizontes mais longos e que alguma parcela do portfólio deve estar alocada em ativos mais arriscados, de forma a garantir melhores rentabilidades.

Fundos multimercados são a principal aposta, o percentual de alocação seria em torno de 18% para o investidor conservador. Ainda para este perfil, o percentual da carteira destinada para renda variável aumentou de 5% para 9% em novembro de 2019 e deve ser revisado novamente.

Os fundos imobiliários são vistos com bons olhos por conta dos retornos atrativos via dividendos, na ordem de 6% ao ano, isentos de Imposto de Renda. Um alerta neste sentido é que o investidor precisa ser mais seletivo em sua escolha porque as cotas subiram bastante. É preciso estudar os gestores, os ativos e buscar contratos longos e bons inquilinos.

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Foto: Depositphoto