Quais setores da Bolsa podem se dar bem com a tendência de alta dos juros

14/04/2021
Homem checa o celular e um tablet. Gráficos da Bolsa de Valores atravessam a imagem

Estava difícil explicar a Selic a 2% ao ano. Com o real desvalorizado, o preço das commodities subindo sem parar e o agravamento da pandemia, a inflação deu sinais de que poderia sair de controle sem que a economia estivesse aquecida - a tal estagflação - e, ao que tudo indica, o Banco Central fez a mesma leitura. E decidiu aumentar a taxa básica de juros da economia em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano, fora os reajustes encomendados para a próxima reunião.

O mercado entendeu e já esperava essa decisão, só que a partir disso, dois caminhos são possíveis e devem ser avaliados: ou a intervenção se mostra suficiente e a Selic estabiliza ou algum dos fatores de risco, como a inflação e a saúde fiscal do país, continuam pressionando e a taxa sobe ainda mais.

De qualquer forma, a tendência de alta influencia - com possíveis variações mediante o agravamento ou não do cenário - o ambiente de negócios e isso pode ser sentido desde a Renda Fixa até o mercado de ações.

Pensando nisso, o site da CNN Brasil conversou com especialistas para tentar dar alguma previsibilidade ao processo e ajudar na alocação de recursos. Confira os setores que podem ser beneficiados e os que podem ser prejudicados.

Beneficiados

Bancos

"Após terem sido impactados pela redução dos spreads nos últimos trimestres, uma vez que os juros baixos propiciaram maior oferta de crédito e mais competitividade para o setor, os bancos podem se beneficiar de um ciclo de alta da Selic", explica Paloma Brum, analista de investimentos da Toro.

"Isso tende a acontecer porque agora o movimento esperado diante dos juros maiores é o contrário: crescerá também o nível de risco na concessão de empréstimos e financiamentos, o que implica naturalmente em um prêmio maior para remunerar as instituições credoras", completa.

Exportadoras
"A alta dos juros causa uma atividade econômica menos aquecida, com empresas investindo e produzindo menos e famílias diminuindo o consumo. Neste cenário, empresas ligadas ao setor exportador tendem a se mostrar mais resilientes do que as que dependem mais do mercado doméstico", conta Paloma. Ou seja, empresas de proteína animal, papel e celulose, commodities, como o petróleo e o minério de ferro, podem seguir avançando.

Prejudicados

Setor imobiliário

As empresas do setor imobiliário tendem a ser impactadas, segundo Paloma, pois os financiamentos imobiliários são ajustados rapidamente diante de aumentos na Selic. Desta forma, a alta pode reduzir o apetite para a tomada de novos financiamentos, assim como aumentar o grau de inadimplência entre aqueles que já têm contratos.

Varejo
Empresas varejistas também podem sofrer com juros mais elevados, pois estes se tornam um incentivo para a realocação de renda das famílias, que optam por reduzir o consumo para aumentar as aplicações financeiras, que passam a remunerar mais.

"Além disso, juros mais altos implicam em aumento das despesas dos indivíduos com crédito e, portanto, aumentam o seu endividamento e reduzem a renda disponível para novos gastos", afirma Paloma. "Dessa forma, a alta na Selic pode prejudicar o volume de vendas e as receitas das companhias de varejo, como redes de supermercados, vestuário, calçados e bens de consumo duráveis (como eletrodomésticos e automóveis)".

Crescimento acelerado
A alta da Selic pode impactar a precificação das ações de empresas de tecnologia, inclusive aquelas de e-commerce, cujo crescimento acelerado depende de financiamentos que, por sua vez, ficam mais caros com os juros mais elevados.

Educação
O cenário de crise e a alta da Selic tendem a propiciar menos investimentos, uma taxa de desemprego mais elevada e a consequente queda da renda disponível dos brasileiros. Com isso, o consumo passa a ser mais focado nos itens essenciais.

"Neste cenário, o orçamento das famílias para educação, principalmente de grau superior, deve ser prejudicado, afetando as empresas do setor educacional, que podem sofrer com o aumento da evasão e da taxa de inadimplência, além da queda na captação de novos alunos", completa Paloma.

CLIQUE AQUI e confira a matéria completa no site da CNN.

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Foto: Chainarong Prasertthai / Getty Images