Por que o dólar vem subindo enquanto a Bolsa só cai? Entenda a influência do exterior mais os ruídos políticos e fiscais

25/08/2021
imagem mostra bandeira dos Estados Unidos ao lado da bandeira da China com um maço de dólares em cima

Quando os principais problemas econômicos causados pela pandemia pareciam aliviar, a assombração dos economistas nos últimos anos da dívida púbica brasileira voltou a aparecer.

O dólar chegou a cair abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em um ano em junho e o Ibovespa engatou no mesmo mês uma sucessão de recordes até passar dos 130 mil pontos pela primeira vez. Só que nas últimas semanas, tudo mudou. Desde a mínima do ano (R$ 4,91, em 24 de junho), o dólar já subiu 9,5% e voltou para perto dos R$ 5,40. A Bolsa, desde a máxima (130.776 pontos, em 7 de junho), caiu 10%, enquanto os principais índices norte-americanas batem recordes.

Fatores globais importantes ajudam a explicar uma parte da história, como a expectativa crescente de os Estados Unidos voltarem a subir os juros e um crescimento abaixo do esperado na China, que enfraqueceram Bolsas e moedas de todos os países emergentes. Mas a outra parte da história – aquela em que a Bolsa e a moeda brasileiras pioraram mais que as outras – passa necessariamente pela sucessão de notícias ruins vindas de Brasília.

Só em agosto, elas foram de manobras fiscais para tentar resolver uma dívida bilionária de precatórios e o fracasso da Reforma Tributária, até ameaça de boicote às eleições e um pedido de impeachment inédito de um ministro do Supremo Tribunal Federal, ambos vindos do presidente da República.

Instabilidade institucional
Tudo isso fez o medo do descontrole dos gastos – o chamado “risco fiscal” – voltar a aparecer e colocou o “fator Bolsonaro” - que a gente nunca sabe quando volta a atacar - nos preços do Brasil, elemento que, até aqui, tinha ficado razoavelmente de fora das contas do mercado financeiro.

O economista Gabriel Leal de Barros acrescenta que a escalada de rusgas entre o Executivo e os outros poderes apenas colabora para congelar ainda mais o andamento das grandes Reformas, como a Tributária e a Administrativa.

“Risco fiscal” e o descontrole de gastos
A escalada da turbulência política coincide com um momento já instável na economia brasileira. Uma inflação alta e sem sinais de alívio obriga o Banco Central a subir os juros muito mais que o desejável, o que prejudica a recuperação econômica, começa a murchar as expectativas de crescimento do país em 2022 e inibe os investimentos.

A queda persistente da popularidade de Bolsonaro também traz de volta o temor de que o governo escanteie de vez a regra do teto de gastos para ampliar despesas e programas sociais em 2022, ano eleitoral.

O anúncio recente de uma possível ampliação do Bolsa Família, ao lado das manobras nos precatórios para liberar verba para o auxílio, foram os sinais de que o mercado estava precisando para levar a sério o que já temia.

O “risco fiscal”, como os economistas chamam, é o temor de o governo seguir gastando indefinidamente mais do que arrecada e a dívida do país sair – ainda mais – do controle. Esse desequilíbrio desencadeia uma série de problemas que respingam em uma piora da economia como um todo e faz indicadores financeiros como a Bolsa, o dólar e os juros futuros desandarem a cada sinal de fumaça.

Só que economia fraca tende a reduzir ainda mais a popularidade do presidente e, para melhorar sua imagem, ele pode aumentar os gastos e bater de novo no risco fiscal. Os fatores se retroalimentam.

CLIQUE AQUI e acesse a reportagem original no site da CNN Brasil.

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Foto: Karolina Grabowska / Pexels

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