O que fazer quando uma ação despenca e não se recupera mais

28/04/2021
dois touros estão frente a frente em posição de confronto. no segundo plano, desfocado, um empresário aponta para os touros, enquanto emite uma luz amarela

A pandemia foi cruel com as ações de praticamente todas as empresas listadas nas Bolsas de Valores, no Brasil, alguns setores ainda sofrem para se recuperar, como é o caso do varejo, dos shoppings, das companhias aéreas e de viagens.

Ainda assim, o que derrubou a ação que mais caiu em 2020 nada tem a ver com os efeitos da pandemia ou de uma das piores recessões da história: é o caso do IRB Brasil RE (IRBR3).

Após denúncias de que a companhia de seguros teria fraudes em seus balanços, o papel, que chegou a valer mais de R$ 40 no início de 2020, despencou em poucas semanas para a faixa dos R$ 6 e nunca mais saiu dela. Entre a máxima e o valor atual, a queda é na ordem de 85%, sem sinais de recuperação em um horizonte que já se arrasta há mais de um ano.

Caso parecido também com outros grandes nomes do passado, como a ex-petroleira de Eike Batista OGX (atual Dommo, DMMO3), a operadora Oi (OIBR3) e a construtora PDG (PDGR3). São exceções na Bolsa, claro - no geral, as cotações das principais companhias tendem a seguir mais ou menos as ondas do mercado no longo prazo -, mas as reviravoltas podem acontecer com qualquer empresa e, portanto, com qualquer investidor.

Para os que acabam com um desses "micos" no portfólio, fica o impasse: o que fazer quando uma ação vira pó? É uma encruzilhada que se abre em vários caminhos: vender tudo, deixar como está ou dobrar a aposta e comprar mais?

Vender na baixa?
Um dos grandes mantras do mundo da Bolsa de Valores é jamais se desesperar e vender os papéis nos momentos de queda. As oscilações são parte inerente da Renda Variável e vender tudo na hora do prejuízo é o caminho mais rápido para transformar as perdas em realidade.

Mas, como todas as regras, essa também tem a sua exceção - na pior das hipóteses, vale lembrar que as perdas podem ajudar no abatimento de Imposto de Renda na hora de declarar os ganhos com ações.

Não se apegar aos papéis que estão dando prejuízo é fundamental e é aí que entra outra regra de ouro do investimento em Bolsa: ter uma carteira bem diversificada, com ações de várias empresas e setores. Se esse trabalho estiver bem feito, as empresas em alta ajudam a compensar as perdas e, com sorte, o resultado total se mantém no positivo.

Analise caso a caso
Para Pedro Galdi, analista da gestora Mirae Asset, a decisão de ficar ou sair da ação que deu errado depende de se debruçar sobre cada uma delas, entender as razões que as derrubaram e calcular as perspectivas que têm (ou não) de se reerguer.

O IRB, por exemplo, é um que, em sua visão, ainda tem salvação, mesmo que não tão cedo. É o mesmo caso de quem não podia imaginar que uma pandemia surgiria de repente e perdeu dinheiro com as empresas de varejo e turismo, que ainda estão longe de recuperar tudo o que caíram desde o ano passado, mas que têm potencial.

Essas situações são bem menos definitivas do que aconteceu com a Oi, por exemplo, que há anos negocia o maior processo de recuperação judicial do Brasil, ou da OGX, que viu seu valor desaparecer depois de a empresa informar que não tinha petróleo em seus poços e também seguir para a recuperação judicial.

Luz no fundo do poço
Daltozo, da Eleven, lembra também de ex-micos que conseguiram sair com vida do fundo do poço, caso da Embraer (EMBR3), que viu suas ações caírem 70% no ano passado depois de a Boeing desistir de comprar uma parte da fabricante brasileira. Desde o pior momento, em outubro de 2020, elas já subiram 167%.

Vale lembrar, porém, que a volta é sempre mais difícil: um preço que caia 90% precisa ser multiplicado por dez, ou seja, subir 1.000%, para voltar para o mesmo valor.

Prejuízo reduz IR a ser pago
Na pior das hipóteses - o da perda irremediável -, os analistas lembram que vender ações com prejuízo dá o direito a reduzir o Imposto de Renda (IR) total devedor.

Isso vale para quem tem lucros com a venda de ações superiores a R$ 20 mil em um mês, valor mínimo para estar sujeito ao IR, que é de 15% sobre o ganho auferido. Abaixo desse valor, o imposto é isento e o "benefício" do prejuízo é mínimo.

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Foto: Marcus Millo / Getty Images