Nervosismo com a Petrobras afeta a Renda Fixa e até quem não investe em ações

23/02/2021
Edifício sede da Petrobras, localizado no centro do Rio de Janeiro

O dia foi nervoso da Bolsa de Valores após o presidente Jair Bolsonaro cumprir suas ameaças e indicar um general para a presidência da Petrobras no lugar de Roberto Castello Branco. A decisão de interferência do governo sobre o comando da estatal causou grande ruído no mercado e refletiu no rebaixamento das ações da companhia.

Só que além dos impactos negativos para a própria estatal, existe um outro impacto relevante que reflete diretamente sobre os investimentos em Renda Fixa, mesmo pra quem não investe em ações da empresa: as expectativas do mercado para as taxas de juros no futuro. A XP Investimentos inclusive já alertou seus investidores sobre essa repercussão através de um relatório.

No documento, Camilla Dolle, analista de Renda Fixa da corretora, explica que as expectativas para as taxas de juros no futuro são reflexos do risco que o mercado enxerga em relação ao cenário econômico do país nos próximos anos e a indicação de troca no comando da Petrobras mais as falas de Bolsonaro sobre outras mudanças na estatal - além do setor elétrico - pioraram a percepção de risco no cenário interno.

"Caso uma interferência na política de preços da Petrobras venha a se concretizar, o câmbio se elevaria puxando com ele a inflação, o que obrigaria o Banco Central a elevar a Selic também, além do esperado para o momento", explica Camilla.

Como o risco é de que haja necessidade de elevação adicional de juros, em relação ao cenário-base, as expectativas para os juros no futuro sobem, explica a analista. O resultado são taxas esperadas para o longo prazo maiores e isso tem efeito direto sobre os investimentos em Renda Fixa.

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"Esse movimento cria oportunidade para investimentos em ativos prefixados ou indexados à inflação de prazo mais longo", diz Camilla. O mecanismo que causa esse efeito é a marcação a mercado, ou seja, o preço do título apresenta relação inversa com sua taxa: se a taxa sobe, o preço cai e vice-versa. A taxa é reflexo direto das expectativas do mercado para os juros no futuro.

Fique atento
No mesmo relatório, a analista da XP nota que não há certeza sobre a trajetória dos juros futuros. Se os eventos ligados à Petrobras forem pontuais, os juros futuros podem retornar aos patamares anteriores, uma vez que os receios seriam esclarecidos e afastados. Por outro lado, caso os eventos ligados à companhia demonstrem ser estruturais, as expectativas para os juros no futuro podem subir, estendendo o efeito sobre os títulos de Renda Fixa.

Camilla lembra ainda que é importante ter em mente, quem já possui ativos de Renda Fixa, que variações nos preços antes da data de vencimento são comuns, mas não significam perda do valor investido. Neste cenário de desvalorização, a perda ocorre somente no caso de resgate antecipado.

Segundo a analista, o investidor deve ter bastante atenção ao risco do emissor e os investimentos em ativos prefixados ou indexados à inflação de prazo mais longo precisam estar alinhados ao seu perfil e objetivos. "Como sempre, quando se trata de investimentos é preciso ter calma e focar no longo prazo", finaliza.

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Foto: Celso Pupo / Getty Images