Juros baixos impulsionam migração do pequeno investidor para a Bolsa

07/11/2019

Juros mais baixos tendem a mudar completamente a relação das pessoas com o dinheiro. Poupar e investir já é difícil para a maior parte da população, mas passa a ser uma tarefa ainda mais complexa.

O professor de economia Samuel Pessôa explica que juro baixo reduz o custo do crédito de forma consistente e amplia não só a capacidade de consumo, como os investimentos das empresas no país, em especial na infraestrutura, gerando impactos positivos na geração de emprego e produtividade. Mas para quem vive ou complementa a renda com aplicações, o efeito do juro baixo é inverso: é preciso mais tempo para acumular patrimônio.

Um exemplo: se a Selic de 14% ao ano dos anos 2015 e 2016 tivesse se mantido, um investidor que tivesse aplicado R$ 1.000 em um título público conseguiria dobrar esse patrimônio em seis anos - sem considerar taxas e IR sobre o ganho. Com a Selic em 4% ao ano, os mesmos R$ 1.000 só se tornariam R$ 2.000 em 18 anos, ou seja, 3 vezes mais.

E é aí que mudam os instrumentos. A Bolsa brasileira tem hoje 1,4 milhão de investidores pessoa física, número que representa um salto de 80% em comparação com o fim de 2018.

Cresceu também de maneira expressiva a participação de pequenos investidores em IPOs (oferta pública inicial de ações), a demanda por debêntures (dívidas de empresas) e fundos, como os multimercados e os imobiliários - essa última classe, negociada em Bolsa como uma ação, também superou 1 milhão de investidores.

Essa transformação pode ser lida como a primeira onda de pessoas que já têm algum patrimônio acumulado e não se satisfaz com rendimentos que mal batem a inflação. De fato, com a Selic em queda é preciso buscar alternativas e a boa notícia é que elas existem até mesmo para os investidores mais conservadores como detalha a matéria: Como dosar renda fixa e renda variável no cenário de juros baixos.

O estudo “Taxas de juros baixos e comportamento do investidor”, conduzido por pesquisadores do MIT e da Faculdade de Chicago e publicado pelo Fed de Boston (braço do Banco Central americano), mostra que os juros cadentes elevam a demanda por ativos de risco e que isso leva à valorização sem que haja necessariamente uma ligação com a economia real.

Em parte, é isso que explica a alta da Bolsa sem que a economia tenha se recuperado de forma consistente e viabilize um cenário de grandes lucros para as empresas atraindo mais investidores.

Nenhum economista acredita que um juro real abaixo de 1% possa prevalecer por muito tempo no país, mas consolida-se entre os estudiosos do tema a percepção que o juro pode atravessar um longo período muito abaixo das médias vistas nos últimos 30 anos, o que estabeleceria uma nova dinâmica para o brasileiro lidar com o dinheiro.

A matéria completa falando sobre as vantagens do juro baixo e o contraponto nos investimentos está no site da Folha de S. Paulo. CLIQUE AQUI para acessar!

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Foto: Depositphotos