Dólar em alta, recessão à vista: por que a inflação americana afeta o Brasil

14/07/2022
imagem mostra uma nota de dólar em evidência, algumas outras notas atrás desfocadas e um gráfico verde com fundo preto também desfocado mais  ao fundo

Em mais um avanço que surpreendeu os especialistas, a inflação nos Estados Unidos chegou a 9,1% em 12 meses. O resultado renova a maior alta de preços ao consumidor americano em mais de 40 anos.

Para o Brasil, o dado também é bastante negativo. A tendência é de desvalorização de moedas emergentes como o real e fortalecimento do dólar, um dos grandes motivadores da inflação por aqui. Há risco também de uma retração das economias globais, que pode prejudicar o nosso comércio exterior.

Mas por que a inflação em alta lá nos EUA nos afeta diretamente?
A alta nos preços nos EUA deve forçar o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, a seguir aumentando os juros no país e sempre que há taxas mais altas por lá, os investidores internacionais costumam deixar os países emergentes e dar preferência aos títulos do Tesouro americano, considerados os mais seguros do mundo. Esse tipo de investimento rende conforma a taxa de juros, se ela sobe, eles entregam mais, junta com a segurança, prato cheio para investidores do mundo todo baterem em retirada para lá.

A tendência, portanto, é que o mercado financeiro global reaja com quedas nas Bolsas de Valores, alta nos juros futuros e dólar valorizado diante das moedas emergentes.

Inflação persistente
A principal preocupação é que mesmo com o movimento de alta nos juros, a inflação americana siga espalhada por diversos itens da cesta de consumo e de forma persistente.

É que além dos incentivos econômicos concedidos durante a pandemia - que encheram o bolso dos americanos - entram nessa conta as paralisações nas cadeias produtivas, que ainda não foram totalmente retomadas por causa de surtos de covid, e a guerra na Ucrânia, ambos fatores que impactam na distribuição. Com menos produtos disponíveis, o preço, claro, sobe.

"Para voltar a ter números de uma inflação mais razoáveis, o Fed vai ter que atuar de maneira dura na taxa de juros e talvez provocar até mesmo uma recessão", explica Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG.

Além de todos os efeitos imediatos no mercado, uma subida mais agressiva de juros nos EUA, renova a percepção de que será difícil desacelerar a inflação em economias desenvolvidas sem causar uma recessão, ou seja, o encolhimento da economia com diminuição da atividade, queda na produção, desemprego etc.

E tome reflexos
No Brasil, o cenário também se traduz em mais inflação. O efeito da valorização da moeda americana costuma ser de alta em produtos como os combustíveis, energia, logística e alimentos, todos vilões da nossa alta de preços.

Os produtores de alimentos, por exemplo, preferem exportar seus produtos a um dólar valorizado do que vender para indústrias nacionais. O efeito é a diminuição de oferta interna e aumento nos preços.

Para os combustíveis, a lógica é parecida. Como o barril de petróleo é cotado em dólar, ele fica mais caro conforme o real se enfraquece porque o mercado precisa igualar o preço na refinaria com o valor internacional, ou seja, os reajustes acontecem conforme a oscilação dos preços do petróleo e do câmbio.

No caso de uma recessão global, o efeito gerado seria parecido. Com menos exportações, tem menos dólares entrando, a arrecadação federal fica prejudicada, os investimentos das empresas exportadoras igual e a nossa moeda só se enfraquece de novo. E como um ciclo, uma coisa puxa a outra.

Bem posicionada no mercado de commodities, a moeda brasileira chegou a se valorizar no início do ano com o aumento da entrada de dinheiro vindo das exportações diante da guerra na Ucrânia. Quem investia em países emergentes, deixou de comprar da Rússia e isso aumentou o fluxo de dólares em nosso país.

Mas o câmbio voltou a subir desde o fim de maio com a alta de juros realizada pelo Fed, além do afrouxamento no cuidado interno com as contas públicas. Só no mês de junho, o dólar subiu mais de 10% frente ao real.

Neste cenário de inflação pressionada, a tendência é que os juros fiquem em patamares altos por mais tempo, causando um freio nos investimentos das empresas e, consequentemente, na criação de empregos no médio e longo prazo.

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Foto: aliaksandrbarysenka (Canva Pro)

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