Coronavírus: quais setores e ações da Bolsa devem sofrer mais impacto?

08/02/2020

O temor sobre os efeitos do coronavírus vem impactando fortemente os mercados, inclusive o brasileiro, em meio às indicações de que o surto da doença afete a economia chinesa e, consequentemente, a mundial.

O crescimento econômico do país pode cair para 5% ou menos no primeiro trimestre por conta do surto e o Brasil, por ser um dos maiores exportadores para o país, pode ver diversos setores da economia impactados.

A China é um parceiro comercial considerado chave para a economia latino-americana e principal parceira de Peru, Argentina e Brasil, responsável por mais de 20% do total exportado desses países. Assim, o impacto direto no PIB dessas nações é bastante provável.

Confira alguns dos setores que podem ser impactados de forma significativa pelo surto do coronavírus:

Commodities - Mineração, siderurgia e celulose
Mineração e companhias de celulose estão bastante expostas à China, sendo diretamente afetadas, o que é negativo para Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3).

A China responde diretamente por 72% e 49% da demanda global por minério de ferro e cobre por via marítima, respectivamente, resultando em uma participação significativa nas mineradoras.

A China também responde pela maior parte do crescimento da demanda global de celulose: 36%. Contudo, o impacto nas empresas brasileiras é diferente - ela é responsável por uma participação relativamente maior na Suzano do que na Klabin.

Enquanto isso, as empresas siderúrgicas estão menos expostas diretamente à China, mas os preços globais podem impactá-las. A maior parte das receitas dessas companhias vêm dos mercados domésticos, a participação direta da China é pequena. Mas um potencial declínio nos preços globais do aço pode ter efeitos negativos sobre os preços no Brasil, Argentina e México devido às relações de paridade de importação.

Petroleiras
A preocupação sobre a demanda aumenta. É cada vez mais crescente o número de voos cancelados para a China, as restrições de viagens estão aumentando entre as cidades chinesas e o vírus está se espalhando para outros países.

As vendas de cargas da commodity da América Latina para a China foram interrompidas temporariamente e estão se acumulando.

As refinarias na China – que recebem 30% dos embarques do Brasil, Colômbia e outros grandes exportadores da América Latina – deverão cortar a produção em meio a especulações de que restrições de viagem para conter a propagação do coronavírus reduzirão a demanda por gasolina, diesel e combustível de aviação. Caso a situação se estabilize, há espaço para os preços do petróleo voltarem rapidamente ao patamar anterior.

Frigoríficos
Há dois possíveis efeitos no radar: 1) a redução da atividade econômica e, portanto, do consumo; 2) o cancelamento de eventos que poderia resultar em altos estoques de produtos.

Historicamente, o consumo de proteínas, assim como de produtos do varejo, sofrerão menos do que as commodities, diretamente impactadas com investimentos ou atividade econômica. Em 2003, em plena crise da Sars, houve um aumento na demanda pelas três principais proteínas (de frango, de boi e de porco), mas agora, o cenário é diferente porque a crise acontece no pior momento, a explosão de casos foi bem na véspera do Ano Novo Chinês.

Por outro lado, os principais produtores de proteína do Brasil apontam que a epidemia poderia até aumentar a demanda por alimentos produzidos no Brasil por causa da segurança alimentar.

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Foto: Depositphoto