Bolsa valendo menos do que deveria: será que é hora de comprar?

21/07/2022
imagem mostra um painel com números que demonstram estar em queda e um gráfico em cima deles também em queda e na cor vermelha

Os pregões das últimas semanas foram marcados por incertezas globais e o agravamento do risco fiscal no Brasil, desencorajando investimentos em alguns papéis e elevando a aversão ao risco no país, cenário que, no entanto, pode trazer oportunidades para iniciantes pouco acostumados com as volatilidades das ações na Bolsa.

São nos momentos de maior incerteza sobre a dinâmica da economia que costumam aparecer as melhores oportunidades de investimentos, explica Patricia Palomo, head de investimentos e operações da Unicred do Brasil.

"Isso acontece porque quando todos estão inseguros, o prêmio pelo risco costuma ser maior, isto é, o retorno exigido para se correr aquele determinado risco é mais atraente", diz.

Os especialistas apontam que a Bolsa brasileira está valendo muito menos do que deveria e, portanto, pode ser mais atraente para os investimentos.

"No caso das ações, em geral, esse prêmio é refletido em preços menores que, apesar de parecerem descontados, não deixam pista sobre o tempo necessário para recuperação e isso dificulta a decisão de investimento tanto dos iniciantes quanto dos mais experientes", pontua Patrícia.

Em meio às mudanças na Petrobras e propostas de subsídios que furam o teto de gastos, o Ibovespa chegou a fechar abaixo dos 100 mil pontos no fim de junho, patamar mais baixo desde 4 de novembro de 2020, o primeiro ano da pandemia.

Isso ocorre após forte valorização nos primeiros meses de 2022, em que o principal índice da Bolsa brasileira rondou novamente os 120 mil pontos.

Para Roberto Indech, vice-presidente de relações institucionais da Clear Corretora, quem deseja ganhar dinheiro atuando na Bolsa deve acolher a máxima de "comprar na baixa e vender na alta", sem seguir o momento manada ou se deixar influenciar pelo momento do mercado.

"Pelo que todos os analistas e gestores dizem, mesmo com a perspectiva de recessão nos EUA, o mercado de ações está muito barato. Têm ações extremamente baratas se pegar no comparativo histórico, por isso, eu acredito que o momento ruim do mercado é sempre uma boa oportunidade para começar, mesmo que assuste um pouco".

Segundo Roberto, não existe uma regra para começar a investir no mercado acionário, pois é impossível prever até quando ele pode continuar caindo ou até que nível ele pode se recuperar e começar uma curva de alta — o importante é participar.

"Você nunca vai saber qual o momento de maior baixa e até onde uma alta no mercado vai durar, então o foco deve ser comprar de maneira constante, evoluindo em conhecimento e sempre deixando uma quantia separada para segurança, só assim vai colher os frutos no curto, médio e longo prazo", acrescentou.

Tolerância e risco
Patrícia Palomo afirma que o investidor deve avaliar dois fatores antes de iniciar sua trajetória no mercado: horizonte de investimento e tolerância ao risco.

O primeiro refere-se a quanto tempo ele tem disponível para manter o recurso investido, enquanto o segundo engloba a capacidade de enfrentar oscilações sem tomar atitudes precipitadas movidas pelo medo.

"Se o investidor tem o horizonte do longo prazo e alta tolerância aos riscos, a Bolsa é, certamente, uma alternativa indicada para esse perfil e o momento de investimento parece ser oportuno", diz.

Já Roberto Indech acredita que os iniciantes devem buscar conhecimentos básicos sobre o funcionamento do mercado e ter em mente os objetivos para o dinheiro investido, antes de começarem a se aventurar na compra e venda de ativos.

"Conhecimentos básicos e bastante pesquisa fazem a diferença principalmente para o pequeno investidor".

Juros altos e renda fixa
A taxa básica de juros no Brasil está em 13,25% ao ano e a perspectiva é de que ela continue alta em um movimento do Banco Central de tentar controlar a inflação no país. Tendo em vista este cenário, os analistas chamam a atenção para a atratividade da Renda Fixa.

Segundo Roberto Indech, o momento é oportuno para alocação de uma parcela do capital em Renda Fixa, mas considera a diversificação da carteira o mais importante neste momento.

"Deve haver uma diversificação no patrimônio, correr um pouco mais de risco, e isso não significa ter 80% ou 70% da carteira no mercado de ações, mas de 5% a 20% pode ser um caminho interessante. Diversificação é sempre positivo porque nunca sabemos o melhor momento para investir seja na Bolsa ou em Renda Fixa”, explica.

Patrícia finaliza dizendo que, em alguns casos, se manter na Renda Fixa é o mais adequado. "Se o investidor tem baixa tolerância ao risco e pouco tempo para manter o recurso investido, a renda fixa pós-fixada é a mais indicada e também está num momento oportuno pela dinâmica da curva de juros recente e a precificação atual dos juros futuros".

CLIQUE AQUI e confira a matéria completa e original do site CNN Business.

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Foto: MicroStockHub (Getty Images para o Canva Pro)

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