Renda Fixa volta a ficar atrativa, mas como escolher a melhor opção?

21/07/2021
Cinco pilhas de moedas estão enfileiradas sobre uma mesa sendo que a primeira tem menos moedas e a quinta, mais. Fundo desfocado com luzes brilhantes

A queda na taxa básica de juros para o menor nível da história levou muitos investidores a buscarem produtos que rendessem mais, já que a maioria da Renda Fixa segue a Selic, então se ela sobe, eles acompanham e o contrário também.

Só que o jogo virou, a Selic subiu nas últimas três reuniões do Copom, chegando a 4,25% ao ano, com expectativa de alcançar 6% até o final de 2021. Diante desse cenário, muitos investidores passaram a considerar que a Renda Fixa voltou a ficar atrativa, mas como isso funciona na prática?

Bian Ribeiro, assessor e especialista em alocação na SHS Investimentos, explica que a movimentação de dinheiro entrando ou saindo da Renda Fixa ou da Renda Variável é um reflexo da Política Monetária vigente no país. De maneira simplificada, a Política Monetária é uma ferramenta de controle econômico utilizada, principalmente, para manter a inflação dentro dos limites estabelecidos pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Então quando o Banco Central quer favorecer o consumo, ele reduz a taxa de juros porque com o crédito (financiamento) mais barato, as pessoas consomem mais e isso aumenta a quantidade de dinheiro em circulação. Deixar o dinheiro parado, neste caso, torna-se menos atrativo. Já quando o objetivo é conter ou reduzir a inflação, a taxa de juros sobe, as pessoas reduzem o consumo e isso tira o dinheiro de circulação porque vale mais a pena deixar aplicado, momento em que a Renda Fixa volta a ficar atrativa porque rende conforme a Selic.

É o que está acontecendo agora no Brasil, com a inflação nas alturas - muito por causa do aumento do consumo na pandemia - o governo caminha na adoção de uma Política Monetária Contracionista com as taxas de juros subindo sucessivamente, o que deixa a Renda Fixa mais interessante.

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Importante lembrar que a Renda Fixa também tem seus riscos e partir pra lá de vez pode não ser a melhor opção. Por outro lado, essa modalidade de investimento costuma oferecer mais segurança e mais liquidez e sempre está indicada quando falamos de reserva de emergência ou reserva de oportunidade. A Renda Fixa tem lugar nas carteiras sempre, mesmo em momentos em que as taxas não estão tão atraentes.

Já na hora de escolher uma opção, Bian explica que é muito importante avaliar o emissor do título, o prazo de vencimento e o tipo (pós-fixado, pré-fixado ou indexado à inflação):

O emissor está sempre ligado ao risco de crédito, então supondo que você vai emprestar seu dinheiro, você deve saber que existem devedores mais garantidos a honrarem a dívida do que outros, certo? E quanto mais arriscado for esse devedor, maior será o rendimento da aplicação, justamente pra compensar esse risco. Importante avaliar, nesse caso, o apetite do investidor ao risco, o quanto ele está disposto a correr de risco, que será sempre proporcional ao valor pago pela aplicação: quanto menos consolidada for a instituição, maior será o prêmio e quanto maior, quanto mais forte a empresa e menores as chances dela falir, menor será também a rentabilidade daquela aplicação.

Essa lógica vale também para o prazo de vencimento, quanto maior, maiores serão as incertezas e riscos que você vai correr até o vencimento e o seu resgate, certo? Então quanto maior o prazo, mais o emissor deve pagar pela aplicação. Já sobre os tipos de títulos, o pós-fixado possui o menor risco e o pré-fixado, o maior risco. O indexado à inflação possui uma parte pós-fixada, que varia conforme a inflação, e uma parte pré-fixada, então o risco acaba diluído entre as duas opções.

A reserva de emergência é o primeiro passo de qualquer investidor e o mais recomendável é que seja aplicada na Renda Fixa porque como o próprio nome diz, é um dinheiro que vai socorrer em uma eventual emergência. "Na hora que mais precisar, você não quer descobrir que seu dinheiro está preso ou que tem um valor menor que o aplicado, certo? A melhor coisa então, é aplicar a reserva de emergência em produtos com baixo risco e alta liquidez e a Renda Fixa acaba sendo mais adequada para esse objetivo", explica Bian.

Na Renda Fixa cabe todo mundo, desde o investidor que está iniciando com pouco até os chamados qualificados, mas sempre deve-se observar se o risco e o prazo de vencimento estão alinhados com o perfil e os objetivos de cada um. Os CDBs e as debêntures costumam ser múltiplos de R$ 1 mil, mas é possível adquirir títulos do Tesouro Nacional por bem menos.

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Foto: Mehaniq / Getty Images