Open Finance (ou Open Banking): você sabe o que é e como funciona?

26/08/2021
um cadeado preso a outro cadeado está em cima de alguns dólares dando a ideia de que o dinheiro está preso

Você já ouviu falar em Open Finance? Sabe o que significa na prática? A chegada do Open Finance vai trazer mais opções de produtos e serviços financeiros, diminuir os custos, aumentar a transparência e os clientes terão mais autonomia para decidir sua vida financeira.

Primeiro chamado de Open Banking e depois fixado como Open Finance, a tecnologia regulamentada pelo Banco Central torna o cliente dono dos seus dados financeiros e lhe dá o direito de decidir com quais empresas vai compartilhar essas informações.

Somente após o consentimento do cliente, as empresas deverão, obrigatoriamente, compartilhar as informações (de pessoa física ou jurídica) por meio dos aplicativos já existentes das instituições. Lembra daquela famosa "relação com o banco", tão importante na tomada de novos produtos e serviços? Pois isso agora é passível da portabilidade!

Novos produtos e serviços devem surgir a partir do Open Finance (ou finanças abertas, em português), mas sempre seguindo um conjunto de regras estabelecido.

Vantagens
São muitas, vamos ver um exemplo: compartilhando todo seu histórico de transações em conta corrente, cartão de crédito e empréstimos, outro banco poderá lhe fazer uma proposta alternativa, talvez eliminando a anuidade do cartão, já que você é um bom pagador.

Outra: compartilhando suas informações com um banco especialista em crédito, você poderá receber propostas diferentes e decidir pela mais interessante, já que as instituições terão na palma da mão todo o seu comportamento ao longo do tempo.

O Open Finance parte do princípio de que os dados do consumidor são de sua propriedade e não do banco ao qual ele está vinculado, o cliente deixa de ser dependente da instituição onde tem conta, reduzindo barreiras, democratizando não só os empréstimos, mas diversos tipos de produtos, garantindo o direito de escolher por quem oferece as melhores condições.

Essa medida já funciona em outros países, o Reino Unido foi o pioneiro em 2018, a Austrália está no páreo e até a Índia já deu os primeiros passos. Estados Unidos, Canadá e Rússia analisam maneiras de implementar em seus sistemas financeiros, ou seja, o Brasil está à frente desses países. Aliás, quando o assunto é tecnologia, nós estamos bonitos na foto, temos excelentes profissionais e devemos nos orgulhar disso!

Apenas instituições que funcionam sob algum tipo de regulação oficial do Banco Central podem participar partindo do princípio da reciprocidade. Algumas participarão de forma obrigatória, outras de forma facultativa, mas quem aderir e tiver o direito de receber dados de seus concorrentes, vai ser obrigado a compartilhar também.

Assim, vai ficar muito mais fácil abrir contas e adquirir produtos e serviços em diferentes instituições ao mesmo tempo enquanto que do lado das empresas, a corrida será pela atenção do consumidor porque mesmo tendo conta lá, nada garante que ele vai consumir e utilizar seus serviços... quem oferecer mais vantagem, leva!

Os bancos tradicionais, que hoje possuem uma gama de produtos, precisarão investir na experiência do cliente, enquanto as fintechs, que hoje oferecem uma experiência melhor, precisarão aumentar seu portfólio de produtos e serviços.

Funcionalidades, segurança e custos
O Open Finance está sendo implementado por fases, os bancos passaram a compartilhar dados pessoais e financeiros, como cartões e transações de crédito, e no final de agosto, terão início as transações de pagamento e o compartilhamento do histórico de informações financeiras. Em dezembro, mais possibilidades estarão a disposição como operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência, entre outros.

Sobre a segurança, o sistema vai funcionar sob a regulação do Banco Central e as instituições estarão sujeitas a punições, por isso, a tendência é que todo mundo ande na linha, assim como já funcionam outros serviços.

Outra informação interessante é que as empresas terão acesso aos dados do cliente por tempo determinado, em princípio, 12 meses, depois, o cliente precisará renovar seu consentimento e poderá ainda pedir que excluam seus dados do sistema a qualquer momento.

Por último: custos. Não tem! O consumidor final não vai pagar nada ao solicitar o compartilhamento de seus dados, mas o banco receptor poderá cobrar somente nos casos em que oferecer serviços adicionais - e o cliente tem que aceitar.

A aplicação desse novo conjunto de regras promove e acelera a concorrência, a eficiência e a oferta de novos produtos e isso é muito bom. Apesar de ser completamente diferente, o Open Finance tem a mesma proposta do PIX, que é de facilitar a vida da gente!

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Foto: alvintus/Getty Images

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