O risco de apostar nas ações de uma única empresa: aprenda com o caso Vale

08/02/2019

Um investidor que comprou R$ 10 mil em ações da Vale no dia anterior ao rompimento da barragem da companhia em Brumadinho terminou a segunda-feira posterior ao episódio, o primeiro pregão, com R$ 7.550, perdendo, portanto, em um único dia 24,5% do valor investido. Já um investidor que dividiu suas aplicações viu os mesmos R$ 10 mil virarem R$ 9.771, ou seja, 2,29% menos. Que diferença, hein?

Essa comparação ilustra um conselho repetido com frequência por planejadores financeiros: diversificar investimentos é sempre mais seguro do que aplicar em uma única ação.

A Vale é o exemplo mais recente de como um fato isolado pode gerar dor de cabeça para quem aposta tudo em um único papel - além de mostrar que a compra e a venda de ações não devem ocorrer por impulso.

"A teoria dos portfólios está aí desde o final da década de 1950 e mostra com cálculos que é mais vantajoso diversificar porque quando uma ação cai existem outras que sobem", explica George Sales, professor de finanças do Ibmec SP.

Quem tem ação da companhia e não vendeu naquele dia de violenta queda, a projeção dos especialistas é que há boas chances de recuperação. Após o tombo, corretoras reforçaram a recomendação de compra do papel, apesar de revisarem para baixo o potencial de ganho.

É óbvio que ninguém podia prever que a Vale enfrentaria problemas realmente graves em consequência do estouro da barragem de Brumadinho. Por isso é tão importante diversificar e ficar atento aos casos de fortes oscilações, eles não acontecem todos os dias, mas acontecem. Outro exemplo é a empresa de armas Forjas Taurus, que diante da expectativa do governo Bolsonaro liberar a posse, viu as ações subirem de R$ 2 para R$ 15 e depois descerem novamente para R$ 4.

Analistas consideram que ao escolher cinco ações, o investidor já consegue uma diversificação capaz de reduzir danos de eventos isolados de uma empresa na carteira de investimentos. Com R$ 10 mil já é possível fazer essa distribuição.

E lembrando ainda que aplicações de renda variável devem representar apenas uma pequena parcela dos recursos investidos - de 5% para investidores de perfil moderado a 20% entre os mais arrojados.

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Foto: Depositphotos