Investir no exterior agora é para todos: conheça os BDRs

04/11/2020
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Abrir uma conta em uma corretora no exterior não é mais fundamental para investir em ações de empresas estrangeiras. Agora é possível que investidores brasileiros comuns comprem BDRs - sigla para Brazilian Depositary Receipts em inglês ou Recibos Depositários Brasileiros - que são títulos que acompanham as cotações de papéis de companhias estrangeiras.

Esse tipo de produto só podia ser negociado por investidores qualificados, mas agora está disponível para todos. O investidor qualificado deve atender várias exigências e a mais importante delas é contar com aplicações financeiras superiores a R$ 1 milhão.

Google, Facebook, Amazon, Tesla, Nike, Netflix: para investir em uma BDR é preciso ter conta em uma corretora de valores, é ela que executa as ordens de compra e venda dadas pelo investidor durante o pregão através do home broker. O home broker é um sistema que conecta os usuários ao pregão eletrônico no mercado de capitais, não tem como negociar na B3 sem estar vinculado a uma instituição. "Basta que o investidor tenha acesso a um home broker e tenha o recurso para arcar com as aquisições e seus custos. Os BDRs são uma forma prática de investir nas empresas mais famosas do mundo", explica Bian Ribeiro, assessor da SHS Investimentos.

Sobre a tributação, os lucros provenientes das negociações de BDRs são tributados em 15%, mas no caso de operações day trade (compra e venda no mesmo dia), a tributação sobe para 20%.

Já os dividendos, nem sempre serão pagos porque parte das empresas com recibos negociados no Brasil, não distribui proventos. Mas quando há distribuição de dividendos pela empresa no seu país de origem, os valores também são repassados aos investidores aqui no Brasil, já descontados impostos e custos dos bancos emissores. Os tributos acompanham a tabela progressiva do IR e a tarifa dos bancos pelo processo de recepção dos dividendos é de 3%.

Cuidados e desvantagens
Os mesmos cuidados ao se comprar uma ação brasileira devem ser tomados na hora de comprar um BDR, conhecer o negócio da empresa escolhida, a saúde financeira dela e os principais riscos envolvidos contribuem para uma exposição adequada ao ativo.

Um ponto de atenção adicional é o risco cambial porque o investimento em BDR está sujeito a variação da moeda americana. O investidor vai aplicar em reais, mas o preço da ação é praticado na respectiva moeda do país de origem da empresa, então a oscilação pode ser grande, depende da força da nossa moeda frente às demais, especialmente o dólar. "O segredo é estar atento ao momento e saber dosar, lembrando que a exposição a moeda americana contribui para uma diversificação saudável da carteira", ressalta Bian.

Outro risco apontado é sobre a liquidez dos BDRs. Ao longo do tempo, a liquidez desse tipo de produto vem aumentando e, certamente, essa nova regra de negociação para pequenos investidores vai contribuir ainda mais para isso. A popularização do produto é bastante positiva, porém, a atenção deve ser mantida por enquanto, principalmente pelo investidor que gosta de realizar operações de curto prazo.

Alternativas
BDR não é a única alternativa para investir fora do país, ter rendimentos em dólar e não se preocupar com o cenário conturbado da política brasileira influenciando o mercado.

Ao comprar um BDR, o investidor consegue uma exposição internacional, mas se ele compra de uma única empresa, a diversificação fica prejudicada, o ideal é montar uma carteira de BDRs. Bian explica que a melhor alternativa é buscar uma exposição mais ampla ao mercado internacional com produtos como Fundos de Investimentos, ETFs e COEs.

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Foto: Geralt/Pixabay