Ibovespa cai mais de 3% em um único dia: é hora de comprar ou vender ações?

28/01/2020

Pânico no mercado. Em um único dia, o índice Ibovespa despencou 3,29%, o dólar subiu 0,60% e no mercado de juros futuros, o DI caiu seis pontos-base.

Desta vez, o motivo está relacionado à saúde, a ameaça de disseminação de um novo vírus paralizou o comércio, os transportes, interrompeu viagens e alterou o calendário de feriados na China, o segundo país com a economia mais forte do mundo. Todo mundo se apavorou, mas a hora é de manter a cabeça no lugar e avaliar: o que é melhor, comprar ou vender as ações?

Júlio Fernandes, gestor da XP, afirma que num primeiro momento é hora de cautela, é preciso mapear e entender a extensão do impacto econômico antes de dar um veredicto. “Estamos acompanhando o cenário, o desenvolvimento da doença e aguardamos uma estabilização, que deve demorar um ou dois meses. Por enquanto estamos protegendo a nossa carteira”, conta.

Por outro lado, Fernandes entende que o longo prazo segue positivo, com boas perspectivas de crescimento para a economia brasileira diante da agenda reformista implementada pelo governo. “Estamos otimistas porque a recuperação deste cenário não deve demorar mais de um ano. No curto prazo há diversos ruídos, porém, nada mudou no cenário futuro”, diz.

Na mesma linha, a equipe de análise do Morgan Stanley considera que não é uma boa ideia ajustar os ativos de risco de mercados emergentes num primeiro momento. “Embora o coronavírus represente um risco a curto prazo, isso tende a ser temporário em meio a políticas estimulativas em andamento”, explicam os analistas.

Adotando um tom ainda mais positivo, a equipe de análise do JPMorgan defende que a turbulência global é um ótimo momento para comprar ativos com desconto. Os estrategistas do banco contam que por mais que a onda vendedora continue, no passado, os grandes surtos levaram a uma desvalorização de 4,7%, em média, nas bolsas.

“Temores sobre saúde, campanhas de guerra localizadas, incidentes terroristas, todos esses fatores se mostraram no passado boas oportunidades de compra e não razões para vendas sustentadas”, afirmam.

Já o analista Gustavo Medeiros, da Ashmore, afirma que apesar do contágio ser preocupante, a reação das autoridades chinesas e internacionais foi rápida e decisiva, reduzindo o risco de proliferação global da doença, ou seja, as providências em relação ao problema fazem toda a diferença e devem ser levadas em consideração. “Dada a ampla atenção e o cuidado dedicado a combater o coronavírus, o impacto no crescimento do PIB da China provavelmente será efêmero e a volatilidade aparece como uma oportunidade de compra de ativos”, avalia Medeiros.

Mas como em renda variável é sempre difícil - senão impossível - prever as consequências de um evento, vale ressaltar a importância da cautela, ainda mais nesse caso, onde a China é reconhecida como um país fechado e com histórico de manipulação de dados.

Recapitulando então:
1 - Renda variável é investimento para longo prazo, avalie os riscos e o horizonte antes de sair;
2 - Não há espaço para euforia, tenha sempre em mente que ninguém ganha dinheiro fácil, ainda mais na Bolsa;
3 - Entenda os riscos e aproveite o momento para compra, bons negócios podem surgir daí.

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Foto: Depositphotos