Educação financeira para crianças: 4 dicas para implementar na sua casa

17/02/2021
família composta por pai, mãe, um menino e uma menina está na cozinha fazendo lição de casa. A mãe ajuda a menina e o pai, o menino. À mesa estão cadernos, lápis, calculadora e um tablet

Desde os nossos primeiros meses de vida, nós absorvemos as informações como esponjas. Capturamos, com os nossos cinco sentidos, todas as experiências que nos são apresentadas e com o dinheiro, não é diferente. Mesmo que os pais nunca falem sobre esse assunto, elas certamente vão capturar os comportamentos, a organização (ou a falta dela), as crenças e a forma como as pessoas que estão mais próximas lidam com os seus recursos financeiros.

Você já parou pra pensar sobre todas as mensagens que uma criança recebe diariamente relacionadas ao dinheiro? O modelo financeiro dos pais, incluindo suas crenças e comportamentos, as propagandas na TV e na internet, a pressão por "ter coisas", o apelo constante para gastar e tantas outras abordagens são alguns exemplos. Portanto, educar financeiramente uma criança é trabalhar constantemente para moldar nela comportamentos positivos em torno do dinheiro, principalmente por meio de habilidades socioemocionais.

O mais importante é mostrar o verdadeiro valor das coisas, mas como podemos fazer isso de forma eficiente? Conheça 4 formas de abordar o assunto "dinheiro" com seus filhos:

1 - Fale sobre dinheiro: meio óbvio, mas precisa ser de forma leve e gradual. Se você quer que as crianças aprendam a poupar e usar os recursos de forma consciente, esse assunto deve fazer parte da rotina da família. A criança precisa entender que o dinheiro é resultado do trabalho e que exige dedicação, ninguém "ganha" dinheiro, ele precisa ser conquistado.

2 - Mostre a diferença entre desejos e necessidades: um dos primeiros passos para ensinar às crianças sobre a importância de usar o dinheiro com consciência é mostrar a diferença entre desejos e necessidades. Explique que as necessidades incluem o básico, como comida e moradia, e os desejos são todos os extras. Você pode usar seu próprio orçamento como exemplo para ilustrar como os desejos ficam em segundo plano.

3 - Use a "semanada" ou a "mesada" como ferramenta educacional: a semanada funciona melhor para crianças de até 8 anos porque quanto mais jovem, menor é a capacidade de enxergar no longo prazo. Depois disso, a mesada já pode ser implementada, mas lembre-se: o valor não pode ser muito alto. Uma criança de até 8 anos não precisa lidar com mais do que R$ 20 ou R$ 30 por semana, isso é o suficiente pra ela aprender a usar o dinheiro até nas coisas mais simples do cotidiano, como o supermercado, por exemplo.

Com o passar do tempo, as prioridades vão mudando e se a renda dos pais permitir, uma criança de 12 anos já pode receber uma mesada maior, mas sempre com cuidado. Não é saudável disponibilizar uma grande quantidade de dinheiro para uma criança.

E mais importante do que o valor é estabelecer metas para que ela aprenda a poupar, somente firmar um valor financeiro não funciona, é preciso que a criança enxergue as vantagens de poupar. Se ela quer um brinquedo novo, por exemplo, mostre que poupando “X” toda semana ela pode conquistar o que quer, participe do plano e comemore os objetivos alcançados. Deixar de usar o dinheiro hoje para um benefício futuro é um grande desafio para os adultos, imagina para uma criança?

4 - Crie um espaço para poupar: assim que a criança tiver metas, é essencial que ela tenha um lugar para guardar o dinheiro.

Para as crianças mais novas, de até 10 anos, o cofrinho funciona muito bem, mas se forem um pouco mais velhas, vale abrir sua própria conta em uma instituição financeira. A criança consegue acompanhar seu progresso e pode aprender a investir, sempre com a orientação de um adulto, claro.

E não tente pular etapas, até o amadurecimento matemático da criança precisa ser respeitado. Com o tempo, você vai perceber que proporcionar meios para que seus filhos estabeleçam um relacionamento saudável e equilibrado com o dinheiro é um dos maiores presentes que você pode lhes oferecer.

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Foto: Cathy Yeulet / Canva