Até onde vai o dólar?

23/04/2020

Em condições normais, já é extremamente difícil prever a flutuação do câmbio, no ambiente de incertezas que o mundo vive, então, isso ficou ainda mais complicado.

Mas o que motivou a disparada do dólar?
Apesar da busca por um ativo mais seguro ser considerada o grande motivo da alta do dólar, esse fato isolado não explica, por si só, a depreciação histórica - e inédita - do real. Na verdade, de acordo com os especialistas da XP, uma mistura de acontecimentos desde o começo do ano culminou nessa disparada.

De janeiro até agora, o dólar subiu cerca de 30% em relação ao real, patamar que impressiona não só pelo valor, mas principalmente em comparação com o câmbio de outros países. Segundo dados do Banco Central, no começo de abril, o real era uma das piores moedas do mundo em relação ao dólar, mas por que isso aconteceu em tão pouco tempo?

O risco é citado pela equipe econômica da XP e outros especialistas da casa como o principal motivo. São vários os acontecimentos que ajudaram na composição deste cenário, só que quando ele ocorre, os investidores tendem a buscar ativos mais seguros e com maior liquidez, aí o dólar aparece como uma opção bastante óbvia.

No começo do ano, o conflito entre Irã e Estados Unidos foi um dos primeiros sinais de aversão ao risco. Depois veio a confusão do Brexit e, simultaneamente, a guerra comercial entre EUA e China. Mais recentemente, os dois acontecimentos que coroaram a alta do dólar foram a guerra nos preços do petróleo e, claro, a pandemia do coronavírus, o principal fator entre todos citados.

Entram ainda na balança algumas situações locais, como a contestada articulação política do presidente Jair Bolsonaro e as crises no Chile e na Argentina, que causam aversão à América Latina como um todo e acabam respingando no Brasil.

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Queda brusca na Selic e retração econômica
Após sucessivos cortes na taxa Selic, os juros brasileiros se encontram na mínima histórica. Esse movimento de queda seria um passo importante para estimular a economia e ajudar em um crescimento do PIB mais acelerado, mas a retomada, que já estava mais lenta que o esperado, parou totalmente com o surgimento do coronavírus.

As estimativas apontavam que este ano, a economia brasileira chegaria a um PIB de mais de 2% de crescimento, o que compensaria a Selic em baixa, só que isso mudou e as previsões oficiais agora indicam retração.

A Selic em patamares tão baixos deixam os juros menos atrativos para os estrangeiros, que costumam buscar títulos públicos em países com taxas de juros mais altas (que justifiquem o risco mais elevado). Ou seja, se eles apostam suas fichas em países mais arriscados, em contrapartida, querem ganhar mais também. Só que como acontece com todo mundo, os investimentos que são baseados na taxa de juros não estão rendendo praticamente nada atualmente.

Fuga de capital estrangeiro da Bolsa brasileira
Outro fator que pressiona o dólar em relação ao real, segundo a equipe de Internacional da XP, é a fuga do capital estrangeiro da Bolsa de Valores e dos demais ativos brasileiros.

Como houve um movimento forte de entrada de investidores, que impulsionou o Ibovespa, os preços das ações brasileiras em geral ficaram caros - quando comparados a outros emergentes e até a algumas empresas americanas - o que agora motiva essa debandada.

Onde o dólar vai parar?
A volatilidade do dólar neste ambiente de crise aguda e total incerteza é uma constante que devemos nos acostumar em 2020.

De acordo com a equipe econômica da XP, “o ambiente de aversão ao risco global tende a prevalecer no primeiro semestre e isso pode fazer com que novos limites de altas sejam testados até o meio do ano. Somente após uma recuperação global mais sincronizada no segundo semestre é que o real pode se valorizar frente ao dólar”. ​

Ou seja, devido principalmente à aversão ao risco, o dólar pode continuar testando novas máximas no primeiro trimestre, podendo chegar aos históricos R$ 6,00. Mas no segundo semestre, com o início do processo de recuperação global, novos fluxos de capital devem chegar no Brasil e isso deve fazer com que o real se valorize e equilibre um pouco a equação. As previsões do time de Economia da XP em relação à cotação do dólar são de R$ 4,70 ao final deste ano.

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Foto: Depositphotos